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Salmos e Cânticos - Louvor e Adoração

Comentário e interpretação dos Salmos por capítulos.

Salmo 24 - Os filhos de Deus

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1 DO SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam.
2 Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios.

Este Salmo complementa a idéia do Salmo 15 ao demonstrar quem pode estar no santo lugar de Deus. Porém, o Salmo 24 demonstra que as mesmas qualidades anunciadas pertencem aos filhos de Deus.

O salmista é enfático ao declarar: "Do Senhor é a terra e a sua plenitude...!" (v. 1). O motivo é evidente: tudo pertence ao Senhor porque tudo foi criado por Ele, e por Ele tudo subsiste! (v. 2).

Quem é o Senhor de toda a terra? Quem a fundou sobre os mares e a firmou sobre rios? A resposta ecoa por toda a bíblia, mas destacamos o que disse o apóstolo João: "Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez" (João 1: 3).

Cristo é o Senhor de toda a terra! Foi Ele quem fundou a terra sobre mares e a firmou sobre os rios.

3 Quem subirá ao monte do SENHOR, ou quem estará no seu lugar santo?
4 Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente.
5 Este receberá a bênção do SENHOR e a justiça do Deus da sua salvação.
6 Tal é a geração daqueles que o buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó. (Selá.)

As perguntas do verso 3 são as mesmas que abrem o Salmo 15: "Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo?" (v. 3).

As características de quem subirá ao monte que pertence ao Senhor, e que se assentará no lugar que lhe é próprio, vem no verso seguinte: "Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente" (v. 4).

Quem é o homem limpo de mãos e puro de coração? Dentre os nascidos de mulher, somente Cristo foi puro de mãos e de coração! Todos os outros homens nasceram de Adão, e portanto, nenhum deles nasceram puro de coração, pois em iniqüidade foram formados e em pecado foram concebidos Sl 51: 5.

Não há dentre os nascidos de mulher (homens), ou seja, nascidos da semente de Adão, que sejam justos e puros de coração, pois todos se desviaram e tornaram-se culpáveis e imundos diante de Deus Rm 3: 9- 18.

'Este', ou seja, 'aquele que é puro de mãos' (Cristo - o servo do Senhor), é quem haveria de receber a bênção e a justiça das mãos do Senhor! O personagem do verso 5 é efetivamente aquele que subirá, ou antes, subiu ao monte do Senhor e se assentou no lugar santo (vs. 3 e 4).

Quando o salmista deixa especificado que Cristo receberá de Deus a 'bênção' e a 'justiça', isto demonstra que tais bênçãos são concedidas somente por direito (herdade). A retidão e integridade de Cristo concedeu-lhe o direito de receber bênçãos e delicias perpetuamente à direita do Pai Sl 16: 11.

Deste ponto em diante o salmista passa a descrever os co-herdeiros com Cristo "E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados" (Romanos 8: 17).

Até o verso 5 o salmista profetizou acerca de Cristo, e no verso 6 ele profetizou acerca dos filhos de Deus gerados em Cristo.

"Tal é a geração daqueles que o buscam..." (v. 6). Da mesma forma que Jesus declarou ser limpo de mãos e puro de coração, os que crêem em Cristo conforme a Escritura também são limpos de mãos e puros de coração.

Da mesma forma que Cristo é, são os cristãos aqui neste mundo: "Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo" (I João 4: 17). O apóstolo João ao escrever este versículo tinha em mente o que Davi profetizou acerca da nova geração e da nova condição que teriam aqueles que cressem em Cristo, o Deus de toda a terra (v. 1).

A geração dos que buscam a Deus através de Cristo são qual Cristo é! Estes são nascidos da água e do Espírito, e portanto, são filhos de Deus Jo 3: 5. Deus é luz, e os que são nascidos de Deus são luz! Ef 5: 8. Da mesma forma que Cristo andou entre os homens com um coração humilde e manso, os que aprenderam dele também são mansos e humildes no intimo (coração) "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mateus 11: 29).

Todos quantos buscam a face do Deus de Jacó, que Cristo manifestou aos homens Jo 1: 18, são geração do Senhor, filhos do Altíssimo I Jo 3: 1- 2; Gl 3: 26. Nasceram da semente incorruptível, que é a palavra de Deus, e são novas criaturas por estarem em Cristo Jesus II Co 5: 17.

Como compreender os versos 7 a 10 deste Salmo?

7 Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.
8 Quem é este Rei da Glória? O SENHOR forte e poderoso, o SENHOR poderoso na guerra.
9 Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.
10 Quem é este Rei da Glória? O SENHOR dos Exércitos, ele é o Rei da Glória. (Selá.)

Levantai, ó Portas

Observe os versos seguintes:

"Seu marido é conhecido nas portas, e assenta-se entre os anciãos da terra" (Provérbios 31: 23).

"Quando eu saía para a porta da cidade, e na rua fazia preparar a minha cadeira..." (Jó 29: 7).

Quando o Salmista clama: "Levantai, ó portas as vossas cabeças..." (v. 7), ele profetizou acerca dos poderosos (príncipes, juízes, magistrados, anciões, nobres etc.) que exercem domínio e juízo entre os homens.

Quando os homens, à época de Jó, viam-no aproximar-se da "porta" da cidade, ou seja, do lugar próprio aos que exerciam a liderança na antiguidade, eles de pronto preparavam a cadeira (lugar) para Jó se assentar. Os jovens deixavam o recinto, os príncipes nada diziam  e os velhos colocavam-se e permaneciam em pé em sinal de reverência Jo 29: 7- 10.

Ao registrar a profecia que sua mãe havia ensinado, o rei Lemuel deixou registrado que a mulher, quando cheia de virtudes, faz com que o seu marido assuma posição de destaque às portas da cidade, assentando-se entre os anciões da terra Pv 31: 23.

Ou seja, o 'assentar-se' à porta em Provérbios 31: 23 é o mesmo que a 'cadeira preparada' no livro de Jó 29: 7.

Observa-se que o lugar onde os magistrados, príncipes, sábios, etc reuniam na antiguidade era denominado de "portas". As portas eram vetadas as pessoas comum do povo. Somente os que exerciam influencia na sociedade é que poderiam ter acesso ao local denominado "portas".

Vemos então que o verso 7 do Salmo 24 refere-se ao domínio eterno de Cristo, quando na segunda vinda, como filho de Davi, Rei e Senhor de toda a terra. De igual modo, ele já se assentou na condição de Senhor nos céus.

"Levantar" é sinal de reverência e admiração, ou seja, quando o salmista profetiza: "Levantai, ó portas, ...", ele diz para que os que exercem domínio levantem-se em reverência àquele que subiu ao monte do Senhor e que se assentará para reinar no seu Santo monte!

'Levantar' é um sinal de respeito. É uma forma de reconhecimento de que àquele que adentrou nalgum recinto é digno de reverência. É uma ato semelhante ao recomendado por Davi: "beijai o Filho".

Enquanto que 'beijar o Filho' é um reconhecimento da divindade de Cristo Sl 2: 12, 'levantai' refere-se ao ato reverente dos que exercem domínio quando Cristo se assentar para reger com vara de ferro as nações Sl 2: 9.

É o mesmo que dizer: Levantem-se e reverenciem o Rei da Glória, pois ele entrou e se assentou entre as nações para exercem o domínio.

O ato de levantar diz da reverência àquele que entrou no lugar próprio, ou que por direito exercerá o domínio. Os homens que exercem o domínio devem levantar, deixando as suas posições, ou seja, levantar 'as cabeças'. Porta, portais, ou entradas diz do local em que há o exercício do poder nos reinos, principados e potestades.

Além de Jesus exercer o domínio entre os homens, Ele exercerá o domínio sobre os principados e as potestades celestiais Ef 3: 10, e por isso o Salmo diz: "... levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória" (v. 7).

As "entradas eternas" (portas) diz de um reino que não é deste mundo onde Cristo exercerá domínio para sempre.

Agora, após definir os elementos que compõe os versos 7 a 10 do Salmo 24, falta analisar a sua composição geral.

Os versos 1 e 2 demonstram a quem pertence a terra e porque pertence a Ele o domínio "Do Senhor é a terra (...) pois ele a fundou..." (vs. 1 e 2). A terra pertence ao Senhor porque Ele a estabeleceu.

O primeiro ciclo de perguntas indaga sobre quem se assentará no santo lugar, o monte santo do Senhor (v. 3), e completa-se com o segundo ciclo de perguntas: "Quem é o rei da glória?" (v. 8).

O rei da glória que entrará e assentará diante dos que O reverenciam (cabeças) levantando-se é Cristo Jesus, o Senhor. Ele é o Senhor de toda a terra (v. 1), Aquele que é limpo de mãos e puro de coração (v. 4), o Rei da Glória (v. 8)!

"As portas" diz do governo humano, e os "portais eternos" da regência (domínio) celestial.  Cristo é poderoso em batalhas (forte e poderoso) e Ele mesmo conquistará os reinos e o domínio sobre toda a terra com mão poderosa. Ele se assentará para dominar a todos os povos "Quem é esse Rei da Glória? O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na guerra" (v. 8).

O rei da Glória é o mesmo que está entronizado entre os serafins, pois Ele é o Senhor dos Exércitos (v. 10) "E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória" (Isaías 6: 3).

Última atualização em Ter, 07 de Outubro de 2008 11:56

Salmo 25 - Temor ao Senhor

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1 A TI, SENHOR, levanto a minha alma.
2 Deus meu, em ti confio, não me deixes confundido, nem que os meus inimigos triunfem sobre mim.
3 Na verdade, não serão confundidos os que esperam em ti; confundidos serão os que transgridem sem causa.
4 Faze-me saber os teus caminhos, SENHOR; ensina-me as tuas veredas.
5 Guia-me na tua verdade, e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação; por ti estou esperando todo o dia.

 

O salmista eleva (levanta) a sua alma, ou seja, as suas emoções, visto que a alma diz das emoções humanas. É o mesmo que lançar sobre Deus todas as ansiedades, certo do cuidado de Deus (I Pedro 5: 7). Levantar (elevar) a alma é o mesmo que expor os anseios em oração.

O salmista é enfático ao clamar a quem pode livrá-lo: 'Senhor' e 'Deus meu'!

O pedido surge da fidelidade de Deus que promove a confiança que o salmista nutre em Deus. Ele pede duas coisas: a) não ser envergonhado, e; b) os inimigos não exultem sobre o salmista (v. 2).

Por que o salmista faz estes dois pedidos? A resposta está no verso 3! Porque na verdade os que esperam em Deus não são confundidos. Como o salmista confiava em Deus, logo, seria atendido, e os seus inimigos não haveriam de prevalecer.

Ora, se é verdadeiro que, os que confiam em Deus não serão confundidos (v. 3), logo, a oração do salmista foi feita segundo a vontade de Deus, e, portanto, seria prontamente atendida.

Os que 'esperam' em Deus (confiam) são os que obedecem a verdade. Já os transgressores são os desobedientes à verdade, e serão confundidos. Este verso apresenta uma das características primária da poesia hebraica: o paralelismo de idéias. No caso específico, paralelismo antitético, aquele que é formado pela oposição, ou contraste entre duas idéias (v. 3).

Quem espera em Deus, ou quem não quer transgredir sem causa precisa saber os caminhos do Senhor. Precisa aprender com aquele que é manso e humilde de coração "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mateus 11: 29).

Jesus citou Isaias ao demonstrar aos judeus que era o Cristo, o Filho de Deus "Está escrito nos profetas: serão todos ensinados por Deus" (João 6: 45; Isaias 54: 13). Ora, todos que ouviram e aprenderam de Deus creram em Cristo, e passaram a esperá-Lo (v. 4- 5).

Somente Deus pode fazer conhecido (revelar) seus caminhos, pois eles são inescrutáveis "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!" (Romanos 11: 33).

Quem está informado dos caminhos do Senhor passa a confiar. É guiado segundo a verdade que há em Deus (tua verdade). Quem não quer ser confundido aprende diretamente com Aquele que é salvação. Quem espera confia, e verá a luz da vida (João 6: 47; Isaias 54: 13; Salmo 25: 1- 5).

 

6 Lembra-te, SENHOR, das tuas misericórdias e das tuas benignidades, porque são desde a eternidade.
7 Não te lembres dos pecados da minha mocidade, nem das minhas transgressões; mas segundo a tua misericórdia, lembra-te de mim, por tua bondade, SENHOR.
8 Bom e reto é o SENHOR; por isso ensinará o caminho aos pecadores.
9 Guiará os mansos em justiça e aos mansos ensinará o seu caminho.
10 Todas as veredas do SENHOR são misericórdia e verdade para aqueles que guardam a sua aliança e os seus testemunhos.
11 Por amor do teu nome, SENHOR, perdoa a minha iniqüidade, pois é grande.

 

Ao pedir a Deus que lembre-se da misericórdia e da benignidade, o salmista demonstra que a misericórdia e a benignidade são atributos de Deus. Ora, se Deus habita na eternidade, e a misericórdia e a benignidade são desde a eternidade, isto demonstra que em todos os tempos Deus sempre relacionou-se com sua criaturas em benignidade e misericórdia "Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos" (Isaías 57: 15).

O salmista pede a Deus que não lembre dos pecados da sua mocidade, do mesmo modo que pede a Deus que lembre-se da misericórdia e da benignidade. É sabido que Deus é conhecedor de todas as coisas, e que Deus jamais esquece das coisas.

Quando o salmista utiliza a palavra 'lembrança' ao falar da misericórdia e da benignidade de Deus, ele procura demonstrar uma necessidade do homem que só Deus pode suprir.

Quais foram os pecados da mocidade do salmista Davi? Ora, os pecados de Davi não são de ordem comportamental, embora ele e todos os homens cometem muitos erros. Os pecados da mocidade decorrem do nascimento do salmista, visto que, em iniqüidade ele foi formado, e em pecado foi concebido (Salmo 51: 5).

O pecado da mocidade, ou as transgressões do salmista eram provenientes do pecado de Adão. Todos os homens, por serem nascidos de Adão, entraram por um caminho que conduz a perdição.

Embora todos os homens (exceto Cristo) tenham entrado pela porta larga que conduz a perdição em Adão, aquele que invocar ao Senhor, será salvo. Passará a trilhar o caminho conhecido pelo Senhor.

Ora, a bondade e a misericórdia de Deus é a causa de oferta salvadora a todos os homens que perecerem (v. 7).

Apesar da misericórdia e benignidade de Deus, tais atributos não são aparte da retidão divina. Deus é bom e reto, ou seja, a sua bondade não fere a sua justiça.

Como Deus é bom e ao culpado não tem por inocente (retidão), ele ensina aos pecadores o caminho em que devem andar (v. 8). Como seria possível o Senhor ensinar aos pecadores o caminho? A resposta foi apresentada por Jesus aos judeus: "Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim" (João 6: 45).

Quem ensinou aos homens o caminho? Quem ensinou o seu caminho aos mansos? Quem guia os mansos em justiça? A resposta está em Cristo, pois Ele mesmo disse:"Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas" (Mateus 11: 29).

Quem aprende de Cristo é ensinado por Deus, pois Cristo é o Deus Unigênito que, ao ser introduzido no mundo, revelou o Pai (João 1: 18).

É por isso que Jesus disse: "Bem-aventurados os mansos, pois eles herdarão a terra"(Mateus 5: 5). A condição de manso só é possível alcançar aprendendo de Cristo, o manso e humilde de coração, diferente da mansidão dos homens, que é segundo a aparência "Guiará os mansos em justiça e aos mansos ensinará o seu caminho" (v. 9).

Quem guarda a aliança ou os testemunhos de Deus trilharão veredas verdadeiras segundo a misericórdia de Deus. Ora, o pedido do salmista é segundo a vontade de Deus, e Deus há de realizar segundo o seu amor.

Tudo que Deus implementa na vida do homem é segundo o amor de Deus "Por amor do teu nome..." (v. 11), o que não é diferente na vida do salmista. Embora o salmista peça ao Senhor, ele sabe que Deus há de realizar por causa do seu amor e misericórdia. O salmista pede perdão da sua iniqüidade segundo a vontade de Deus, pois a vontade de Deus é que nenhum homem se perca.

O salmista não está confiado em sua oração, antes, confia no amor e na misericórdia de Deus e expressa tudo em oração.

Jesus nos ensinou muito acerca da oração quando disse: "Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste" (João 11: 42).

Quem eleva a alma a Deus em oração precisa compreender que a oração não é o motivo pelo qual o homem é atendido. Antes, Deus atende por ser misericordioso e gracioso. A fidelidade de Deus é que leva o homem a expressar os seus anseios em oração, mas pelo amor do seu nome é que Deus perdoa que se refugia em confiar em Deus (v. 11).

 

12 Qual é o homem que teme ao SENHOR? Ele o ensinará no caminho que deve escolher.
13 A sua alma pousará no bem, e a sua semente herdará a terra.
14 O segredo do SENHOR é com aqueles que o temem; e ele lhes mostrará a sua aliança.


O salmista faz uma pergunta muito importante: Quem é o homem que teme ao Senhor? Ora, se não há um homem, nenhum sequer que faça o bem (Salmo 14: 2- 3), se todos desviaram e tornaram-se inúteis, quem é o homem que teme ao Senhor?

Dos filhos de Adão não há quem seja temente ao Senhor, porém, o Filho Unigênito, o último Adão, Ele é o homem que teme ao Senhor. Cristo foi o homem temente ao Senhor, e Ele ensinou aos homens o caminho que devem escolher.

Quando Jesus disse: "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela" (Mateus 7: 13), ele estava indicando aos homens qual o caminho que todos os homens nascidos em Adão (a porta larga) devem escolher.

Somente Aquele que é nascido de Deus é temente ao Senhor. Os nascidos em Adão são filhos da desobediência e da ira, não são tementes ao Senhor, pois transgridem mesmo sem causa (v. 3).

Cristo, o homem que temeu ao Senhor, ensinou aos pecadores o caminho que deviam escolher. Cristo, o homem que temeu ao Senhor, a sua alma, ou melhor, o seu desejo estava atrelado no bem "Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (João 6: 38). Enquanto os descendentes de Adão não tem o temor do Senhor diante de seus olhos (Romanos 3: 18), a semente do último Adão herdará a terra.

Os descendentes do último Adão, que é Cristo, herdarão a terra porque aprenderam com Aquele que é humilde e manso de coração. A semente do homem que temeu ao Senhor traz a existência os mansos, a geração dos bem-aventurados, homens que herdarão a terra (v. 13).

O verso 12 está intimamente ligado ao verso 6 do capítulo 24:

"A sua alma pousará no bem, e a sua semente herdará a terra" (v. 13);
"Tal é a geração daqueles que O buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó" (Salmo 24: 6).

A 'geração' que busca ao Senhor equivale à 'semente' que herdará a terra. Do mesmo modo que a 'geração' (nascido de Deus) dos que buscam a Deus são limpos de mãos e puros de coração (salmos 24: 4), os nascidos de Deus através da semente incorruptível dará a condição necessário para herdar de Deus a 'terra'. Eles são mansos e humildes de coração assim como Jesus é "Tal é a geração daqueles que o buscam..." (Salmos 24: 6).

A intimidade, ou o segredo, ou o mistério de Deus pertence aos que temem ao Senhor. Temer a Deus é diferente de medo. Temer é obedecê-lo, conforme a palavra de Deus "Vinde, meninos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR" (Salmos 34: 11).

O temor do Senhor decorre do seu ensino, que produz o conhecimento e conseqüentemente a obediência. Ora, o evangelho é o conteúdo do ensino de Deus, que por sua vez produz o conhecimento de Deus, ou seja, através do evangelho o homem recebe poder de Deus para que seja feito filho de Deus, tornando-se um com o Pai e o Filho.

Ora, aqueles que obedecem a Deus são os que ouviram o seu ensino e tornaram-se unidos a Deus. Conhecer a Deus é estar intimamente ligado, unido a Deus.

Cristo, o segredo (mistério) do Senhor revelado aos homens, foi quem evidenciou a aliança de Deus com os homens. Foi Ele que mostrou a aliança de Deus, ensinando no caminho que devem escolher (v. 14).

Deus ensina o caminho aos pecadores (v. 8), ou o caminho que precisam escolher (v. 12), fazendo com que conheçam (saibam) a aliança estabelecida por Deus aos homens (v. 14).

A idéia expressa na tradução "Ele o ensinará no caminho..." é superior a tradução "Este lhe ensinará o caminho que deve escolher" (v. 12). Ora, Cristo é o Caminho que os homens precisam (devem) escolher para que sejam salvos - este é o primeiro ponto. Cristo é o Unigênito Filho de Deus, e por ser o último Adão, nascido de Deus, ele ensinou estando no caminho (no caminho) que os homens devem escolher. Jesus foi gerado de Deus no ventre de Maria, e os homens, por serem descendentes de Adão, precisam nascer de novo na condição de filhos de Deus (v. 12).

15 Os meus olhos estão continuamente no SENHOR, pois ele tirará os meus pés da rede.
16 Olha para mim, e tem piedade de mim, porque estou solitário e aflito.
17 As ânsias do meu coração se têm multiplicado; tira-me dos meus apertos.
18 Olha para a minha aflição e para a minha dor, e perdoa todos os meus pecados.
19 Olha para os meus inimigos, pois se vão multiplicando e me odeiam com ódio cruel.
20 Guarda a minha alma, e livra-me; não me deixes confundido, porquanto confio em ti.
21 Guardem-me a sinceridade e a retidão, porquanto espero em ti.
22 Redime, ó Deus, a Israel de todas as suas angústias.


Frente a fidelidade e a misericórdia divina o salmista segue expressando a sua confiança.

Ele olha continuadamente para o Senhor porque Deus mesmo diz: "Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro" (Isaías 45: 22). Ser salvo é o mesmo que ter os pés tirado da rede (v. 15).

Para o salmista um olhar de Deus é piedade. Ele expressa a sua aflição e dor à vista dos seus pecados. O desejo do coração e aperto do salmista é o perdão dos seus pecados.

Ele pede a Deus que considere os seus inimigos, uma vez que multiplicavam-se sobre maneira e o odiavam cruelmente.

Mas, por que o salmista era cruelmente odiado? O que levava as pessoas terem Davi como inimigo? Não podemos nos esquecer que as pessoas que pertenciam a linhagem de Cristo era perseguida ferozmente, diferentemente de outras pessoas.

Em vários salmos o salmista aponta para pessoas que o odiavam sem causa, e o motivo deste ódio só é explicado por ele ser descendente do Messias que estava por vir (Salmo 35: 7- 19).

Quando o salmista clama ao Senhor para guardar a sua alma, ele clama com convicção que será atendido, uma vez que ele se refugiava em Deus. Porque ele confiava em Deus? Porque Deus é sincero e reto! Ou seja, a sinceridade e a retidão, atributos de Deus, são a causa do salmista esperar em Deus (v. 21).

No último verso o salmista ora a Deus pela redenção de Israel.

Última atualização em Ter, 07 de Outubro de 2008 11:57

Salmo 26 - O Justo

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Este salmo contém uma descrição pormenorizada do homem Justo, ou seja, do homem que teme ao Senhor (Salmos 25: 12). Este Salmo precisa ser analisado em conjunto com o Salmo primeiro.

 

1 JULGA-ME, SENHOR, pois tenho andado em minha sinceridade; tenho confiado também no SENHOR; não vacilarei.
2 Examina-me, SENHOR, e prova-me; esquadrinha os meus rins e o meu coração.
3 Porque a tua benignidade está diante dos meus olhos; e tenho andado na tua verdade.

O salmista apresenta um pedido ao Senhor: Julga-me!

Lemos no Salmo 14 que não há sequer um homem justo, como o salmista poderia cometer um desatino ao pedir a Deus que fosse julgado segundo a sua sinceridade (integridade)? (Salmo 14: 1- 3).

Ora, como Deus olhou do céu para os filhos de Adão (homem) e não viu nenhum justo se quer, como poderia o salmista pedir para ser julgado segundo a sua integridade?

O salmista não se enquadra nos quesitos que o salmo apresenta, antes, ele escreveu acerca do seu Descendente, que é Cristo.

Quem andou em sinceridade entre os homens? Quem confiou no Senhor? Quem não titubeou? Quem esteve a altura do julgamento do Senhor? Cristo é o único homem que jamais pecou e nem na sua boca achou-se engano "O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano" (I Pedro 2: 22).

Somente o Filho de Deus detinha em si mesmo a condição necessária para passar pelo crivo do julgamento divino (v. 1). Somente Cristo pode pedir ao Senhor para ser examinado e provado, pois, sendo humilde e manso de coração, em tudo foi tentado, contudo, não pecou "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado" (Hebreus 4: 15).

Somente àquele que fala verazmente segundo o seu coração é capaz de andar em sinceridade "Aquele que anda em sinceridade, e pratica a justiça, e do coração fala a verdade" (Salmo 15: 2).

O que está adiante dos olhos representa o desejo. O desejo de Cristo é a bondade do Senhor, ou seja, fazer a vontade do Pai "Por isso também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação, e cumpra todo o desejo da sua bondade, e a obra da fé com poder" (II Tessalonicenses 1: 11).

O Justo é o homem que teme ao Senhor, aquele que ensina os pecadores no caminho que devem escolher "Qual é o homem que teme ao SENHOR? Ele o ensinará no caminho que deve escolher" (Salmo 25: 12; v. 3).

 

4 Não me tenho assentado com homens vãos, nem converso com os homens dissimulados.
5 Tenho odiado a congregação de malfeitores; nem me ajunto com os ímpios.
6 Lavo as minhas mãos na inocência; e assim andarei, SENHOR, ao redor do teu altar.
7 Para publicar com voz de louvor, e contar todas as tuas maravilhas.
8 SENHOR, eu tenho amado a habitação da tua casa e o lugar onde permanece a tua glória.

Cristo não se assentou com os homens vãos, ou seja, ele não se associou com os homens hipócritas (Salmo 1: 1). Cristo aborreceu a congregação de malfeitores ao recusar assentar-se com os ímpios.

Ora, Cristo assentou-se com os pecadores para comer e foi censurado pelos escribas e fariseus por este ato (Lucas 15: 1- 2). Como conciliar este salmo com o fato de Jesus ter assentado e comido com pecadores? Esta era uma questão que incomodava os religiosos à época de Jesus.

Embora lessem o Salmo primeiro, os escribas e fariseus não compreendiam. Pois o mesmo salmo que diz 'Bem-aventurado o homem que não anda (...) nem se assenta na roda dos escarnecedores", também diz: "Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá" (Salmos 1: 6).

Ora, se um é o caminho dos ímpios e outro é o caminho dos justos, mesmo quando assentados em uma mesma mesa, trilham caminhos diferentes perante o Senhor. Jesus se assentou para comer com os publicanos e pecadores (Lucas 15: 1- 2), porém, ele não se assentou com homens vãos, uma vez que, ao assentar-se em uma mesma mesa com os pecadores, eles trilhavam um caminho de perdição, enquanto Cristo ensinava no caminho que deviam escolher (Salmo 25: 12).

Quem dentre os filhos de Adão poderia dizer que lavou as mãos na inocência? Até mesmo os sacerdotes andavam a volta do altar, porém, não podiam alegar inocência (Hebreus 5: 2- 3).

Mas, Cristo andou ao redor do altar como cordeiro sem mancha e nem mácula, para oferecer a si mesmo imaculado a Deus (Hebreus 9: 14; v. 6).

O fato de Cristo, inocente, ser ofertado a Deus em resgate de muitos, tornou notório o louvor as maravilhas de Deus. Tudo o que Cristo realizou tornou notório o louvor e glória da graça de Deus, concedida gratuitamente no Amado (Efésios 1: 6).

Diferente de Moisés, que foi fiel em toda a casa de Deus somente para testemunho das coisas que estavam por vir (Hebreus 3: 5), Cristo amou a habitação do Pai, ou seja, os homens que confiam em Deus, pois eles são casa, templo e morada do espírito Eterno (Hebreus 3: 6).

Com relação ao templo Jesus disse que ele seria arruinado "Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada" (Mateus 24 : 2), mas, com relação aos que creram, ele disse:

a) As portas do inferno não prevalecerão (Mateus 16: 18);
b) Estarei convosco todos os dias (Mateus 28: 20);
c) Onde estiveres reunidos, ai estarei (Mateus 18: 20).

 

9 Não apanhes a minha alma com os pecadores, nem a minha vida com os homens sanguinolentos,
10 Em cujas mãos há malefício, e cuja mão direita está cheia de subornos.


Os pedidos que o salmo registra é conforme à vontade de Deus, uma vez que Deus não tem o culpado por inocente e nem punirá o inocente em lugar do ímpio.

Se o salmo registrasse: 'Senhor, apanhe a alma dos pecadores com as dos justos', seria um pedido descabido, visto que, Deus não perverte a sua justiça e o que é reto.

Se alguém pedir que Deus minta, jamais será atendido, pois ele não é o homem para que minta. É impossível que Deus minta, pois mentir é contrário a natureza divina.

Quem são os pecadores, em cuja mão há malefícios e não pode lavar a mão na inocência? São somente os homens sanguinários, os beberrões, os maldizentes, os idólatras, etc?

Não! Os homens contado como pecadores são todos os descendentes de Adão, visto que pecam (transgridem) mesmo sem causa "Na verdade, não serão confundidos os que esperam em ti; confundidos serão os que transgridem sem causa" (Salmos 25: 3). Os que esperam em Deus são contados com os filhos de Abraão, e os que transgridem sem causa, estes são descendentes de Adão, filhos da ira e da desobediência.

 

11 Mas eu ando na minha sinceridade; livra-me e tem piedade de mim.
12 O meu pé está posto em caminho plano; nas congregações louvarei ao SENHOR.

 

Diferente dos pecadores, aquele que 'anda em integridade' e 'fala verazmente' segundo o seu coração, que é manso e humilde, têm os pés em caminho plano.

Por andar segundo a sua sinceridade, o Cristo alcançou a piedade de Deus segundo os seus méritos. É por isso que Ele confia e pede o juízo divino (v. 1).

Observe que onde houver ajuntamento solene (congregações), ai Ele louvaria a Deus. Por que? Porque o novo homem criado em Cristo foi criado para louvor e glória da graça de Deus (Efésios 1: 6), louvor e glória que vem por intermédio de Cristo.

Última atualização em Ter, 07 de Outubro de 2008 11:58

Salmo 27 - Confiança em Deus

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1 O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O SENHOR é a força da minha vida; de quem me recearei?
2 Quando os malvados, meus adversários e meus inimigos, se chegaram contra mim, para comerem as minhas carnes, tropeçaram e caíram.
3 Ainda que um exército me cercasse, o meu coração não temeria; ainda que a guerra se levantasse contra mim, nisto confiaria.

Não resta alternativa no cântico do salmista: a quem temer, se o Senhor é luz e salvação? Há algo ou alguém a temer?

O Senhor é o caminho que conduz à salvação. Ele é a luz que proporciona um comportamento livre de escândalo "Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo" (I João 2: 10).

Perceba a relação que há entre 'caminho' e 'viver em Espírito', 'luz' e 'andar no Espírito'. Quem vive no Espírito é porque entrou pela porta estreita, que é Cristo, e passou a trilhar o caminho que conduz à salvação (Mateus 7: 13).

A recomendação de Paulo para os que trilham o caminho que conduz à salvação é: andai também no Espírito (Gálatas 5: 25), ou seja, agora que os cristãos eram filhos da luz, deviam andar como filhos da luz."Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR; andai como filhos da luz" (Efésios 5: 8).

Quem anda na luz pauta o seu comportamento pela comunhão com os seus irmãos e semelhantes "Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado" (I João 1: 7).

Portanto, como temer, se Deus é o caminho (salvação), e a luz (lâmpada para os pés) para os que nele esperam.

Novamente o salmista reafirma a idéia da questão abordada: Deus é poder, ou seja, a força da vida do salmista (v. 1).

A investida dos inimigos é inócua, uma vez que, todos os malvados inimigos tropeçaram e caíram quando investiram contra o salmista. A investida dos inimigos e adversários representam o pior que poderia acontecer a um rei, porém, diante do poder do Senhor todos os receios do salmista desapareceram.

Novamente o salmista aponta para o que seria o maior receio de um rei, e reafirma a sua confiança em Deus (v. 3). Diante de exércitos o coração do salmista não temia. Diante da guerra, ele confiava em Deus. Para os inimigos um quadro cômico: tropeçam e caem.

Ainda que exércitos, guerras, adversários e inimigos se levantem, nisto ele confiaria: "O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O SENHOR é a força da minha vida; de quem me recearei?" (v. 1).

 

4 Uma coisa pedi ao SENHOR, e a buscarei: que possa morar na casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do SENHOR, e inquirir no seu templo.

Qualquer rei pagão pediria ao seu deus livramento dos seus inimigos. O salmista, por confiar em Deus, pede uma única coisa: '...que possa morar na casa do Senhor...' (v. 4). A confiança em Deus faz com que o comportamento dos pagãos seja diferente dos crentes.

Por que o salmista pediu ao Senhor e buscou morar na casa do Senhor TODOS os dias da sua vida? Por que o salmista não buscou ser livre dos inimigos? Porque ele desejava contemplar a formosura de Deus, aprendendo no seu templo.

A formosura que o salmista desejava contemplar e queria aprender é acerca dos atributos de Deus, como a bondade, a misericórdia, o amor, a justiça, etc (v. 4).

 

5 Porque no dia da adversidade me esconderá no seu pavilhão; no oculto do seu tabernáculo me esconderá; por-me-á sobre uma rocha.
6 Também agora a minha cabeça será exaltada sobre os meus inimigos que estão em redor de mim; por isso oferecerei sacrifício de júbilo no seu tabernáculo; cantarei, sim, cantarei louvores ao SENHOR.

Por que a preocupação do salmista não é com os inimigos, e sim com o Senhor? Porque é o Senhor que na adversidade haverá de esconder o salmista no seu abrigo (pavilhão). No lugar oculto da própria casa de Deus (tabernáculo) o salmista seria acolhido e escondido da adversidade. Estar escondido no abrigo de Deus é estar sobre a rocha. É estar seguro (v. 5).

Também será no dia da adversidade que Deus dará livramento ao salmista, uma vez que a sua 'cabeça' será exaltada acima dos seus inimigos. Enquanto o salmista permaneceria de pé no dia da adversidade, os seus inimigos tropeçariam e cairiam.

Enquanto quem não tem um conhecimento apurado de Deus procura oferecer novilhos, bois, etc., o salmista diante do livramento do Senhor propõe oferecer sacrifício de júbilo (louvor) na presença de Deus (no tabernáculo).

O salmista propõe cantar ao Senhor louvores, pois este é o sacrifício que Deus se agrada. Observe que o escritor ao Hebreus reafirma esta idéia: "Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome" (Hebreus 13: 15).

O sacrifício de louvor ou de júbilo é o professar o nome do Senhor. Quando o homem professa a Deus, o salvador, Ele realiza a sua obra, criando o fruto dos lábios: "Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR, e eu o sararei" (Isaías 57: 19).

A mensagem do evangelho é anuncio de paz entre Deus e os homens. Todas as chagas do pecado (sara) daqueles que 'olharem' ou 'invocarem' a Deus serão saradas. No evangelho está contido o poder de Deus que cria o fruto dos lábios.

Quando o homem professa a Cristo como salvador conforme o evangelho da graça, a paz entre Deus e os homem é firmada. Ele sara o homem de todas as chagas do pecado, ou seja,a parede de separação é removida. Com base naquilo que Deus realiza, o homem passa a professar a maravilhosa graça de Deus, que é o fruto dos lábios.

É porque Deus realiza a sua maravilhosa obra que há motivo de louvor, e não o contrário. Não é porque o homem louva que Deus realizará a sua obra. Antes, é porque Deus realizou a sua obra "Eu crio..." (Isaias 57: 19), que o homem tem motivo para louvar: '...paz para os que está longe...', o fruto dos lábios que professam a Cristo.

Quem professa a Cristo anuncia a paz de Deus aos homens que estão longe, e ao mesmo tempo rede sacrifícios de louvor a Deus pela sua obra realizada (v. 6).

 

7 Ouve, SENHOR, a minha voz quando clamo; tem também piedade de mim, e responde-me.
8 Quando tu disseste: Buscai o meu rosto; o meu coração disse a ti: O teu rosto, SENHOR, buscarei.
9 Não escondas de mim a tua face, não rejeites ao teu servo com ira; tu foste a minha ajuda, não me deixes nem me desampares, ó Deus da minha salvação.
10 Porque, quando meu pai e minha mãe me desampararem, o SENHOR me recolherá.

 

O salmista espera ser ouvido por Deus, e que a resposta divina seja segundo à piedade.

A busca do salmista é segundo a palavra de Deus, e não segundo a sua própria concepção. Foi o Senhor quem disse: "Buscai o meu rosto" por intermédio de Davi "Buscai ao SENHOR e a sua força; buscai a sua face continuamente" (I Crônicas 16: 11), e o homem deve buscar a presença de Deus, e não as coisas deste mundo (v. 8).

O salmista pede para Deus não esconder a sua face, pois ele sabia que os que não buscam a Deus são filhos da perversidade e da mentira. Porém, Deus olhará para aqueles que O buscam, pois são geração do Senhor (Salmos 24: 6) "E disse: Esconderei o meu rosto deles, verei qual será o seu fim; porque são geração perversa, filhos em quem não há lealdade" (Deuteronômio 32: 20).

Somente conhecem a Deus (vêem o seu rosto) aqueles que são nascidos dele (geração), pois uma é a geração dos ímpios, os descendentes de Adão, e outra a geração dos que buscam a Deus, os filhos do último Adão (Cristo).

Ante a impossibilidade do salmista Deus é a ajuda. A presença do Senhor é o motivo de vitória, pois Ele é salvação (v. 9). Os pais representam acolhimento e proteção, porém, quando a esperança de proteção e acolhimento deste mundo falharem, Deus há de acolher o salmista.

 

11 Ensina-me, SENHOR, o teu caminho, e guia-me pela vereda direita, por causa dos meus inimigos.
12 Não me entregues à vontade dos meus adversários; pois se levantaram falsas testemunhas contra mim, e os que respiram crueldade.

O homem por si só não consegue descobrir qual é o caminho de Deus, antes precisa ser ensinado por Deus. É por isso que Deus se fez carne e habitou entre os homens, para ensinar os pecadores qual é o caminho que devem escolher (Salmo 25: 12).

É o Senhor que ensina e guia o homem pela vereda direita. Ora, os homens nascidos segundo a descendência de Adão, ao nascerem entraram por uma porta larga que dá acesso a um caminho largo que conduz à perdição, porém, para ter acesso ao caminho do Senhor é preciso nascer de novo, nascer da água (palavra) e do Espírito.

Àquele que aprende do Senhor, que é humilde e manso de coração, é de novo gerado segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade. Ao entrar por Cristo, a porta estreita, terá acesso ao caminho apertado que conduz à vida (Mateus 7: 13- 14).

O salmista espera em Deus que não seja entregue aos seus adversários, que se utilizam de falsas testemunhas para sustentarem as suas inverdades (v. 11).

 

13 Pereceria sem dúvida, se não cresse que veria a bondade do SENHOR na terra dos viventes.
14 Espera no SENHOR, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no SENHOR.

 

O salmista reafirma a sua posição inicial de confiança em Deus. Não restava dúvida ao salmista: se acaso ele não depositasse confiança em Deus, certo era que pereceria "O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O SENHOR é a força da minha vida; de quem me recearei?" (v. 1).

A confiança do homem advêm da fidelidade e bondade do Senhor. A salvação de Deus é para hoje, ou seja, para aqueles que habitam a terra dos viventes.

Com base na fidelidade de Deus e em tudo que o salmista experimentou, ele recomenda: "Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor" (v. 14). Esperar e confiar compete ao homem com base na fidelidade e bondade do Senhor, porém, é Ele que fortalece segundo a força do seu poder.

Última atualização em Ter, 07 de Outubro de 2008 11:59

Salmo 14 - Não há quem faça o bem

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Como entender este versículo, uma vez que há pessoas que praticam boas ações? Há homens que são altruístas e se esmeram em fazer grandes obras sociais? Como entender a abordagem do salmista se muitos homens não são devassos? O salmista apresentou os seus argumentos em sentido absoluto ou em sentido relativo quando disse: "...não há ninguém quem faça o bem" ( Sl 14:1 )?

Última atualização em Qui, 09 de Julho de 2009 10:35 Leia mais...

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