| Índice do Artigo |
|---|
| Os Nascidos de Deus não Pecam |
| Introdução |
| Comparando Coisas Espirituais |
| Os filhos deste mundo |
| Os filhos da Luz |
| O Método de Análise |
| Não Peca ou Não Vive Pecando |
| Todas as Páginas |
Os nascidos de Deus 'não pecam' ou 'não vivem pecado'? Quem são os nascidos de Deus? O que o apóstolo João quis demonstar ao dizer que os nascidos de Deus não pecam? Estas e outras perguntas serão respondidas à luz da bíblia.
Como um filho deste mundo passa à condição de filho da luz? Qual é a vontade de Deus para que os homens sejam contados como seus filhos? A vontade de Deus é que todos os homens sejam contados como seus filhos, e, através do evangelho, os filhos deste mundo têm a oportunidade de se tornarem filhos da Luz. Jesus (a verdadeira Luz que ilumina os homens) disse aos judeus que eles precisavam crer na Luz para serem filhos da Luz, ou seja, todos os homens precisam crer em Cristo para serem filhos de Deus
Da mesma forma que os religiosos judeus não entendiam as Escrituras, também não entenderam o ensinamento de Cristo. O que a Escritura e Cristo propõem aos homens?A Escritura e Jesus demonstram que é necessário a todos os homens nascidos da carne (Adão) nascerem de novo, da água e do Espírito (da palavra e de Deus), para serem filhos da Luz.
Jesus disse que os nascidos da carne são carnais, ou seja, os descendentes da carne de Abraão eram homens carnais. Neste mesmo diapasão Davi reconheceu que foi formado e concebido em pecado, e que somente seria limpo de tal condição através de uma obra exclusivamente divina ( Sl 51:5 ).
Como é possível ao homem livrar-se da condição de sujeição (jugo) ao pecado proveniente do nascimento em Adão? Somente através do novo nascimento, através da semente incorruptível (água), o homem é novamente gerado pelo Espírito de Deus (Espírito) ( Jo 3:6 ).
Ser descendente da carne de Abraão é o mesmo que ser filho de Adão, por quem o pecado entrou no mundo e passou a todos os homens ( Rm 5:19 ).
Introdução
Quando Jesus disse aos judeus que criam nele, que somente seriam libertos quando conhecessem a 'verdade', ficaram perplexos e contra argumentaram: “Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?" ( Jo 8:33 ), o que indica que não compreenderam o ensinamento de Cristo.
Eles não entenderam a mensagem porque a concepção de liberdade deles era terrena (carnal) e a mensagem de Cristo espiritual (celestial), conforme atestou João Batista "Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos" (João 3: 31); "Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?" ( Jo 3:12 ).
Quando Jesus ofereceu liberdade aos judeus, alguns dos seus seguidores não compreenderam a proposta, porque Jesus não lhes falou conforme o pensamento dos homens, que é terreno "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parece loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente" ( 1Co 2:14 ).
O ensino de Jesus lhes soou como loucura e não puderam compreender. Por quê? Porque eles não discerniam 'as coisas do Espírito de Deus' do modo que Paulo recomenda: comparando as coisas espirituais com as espirituais "As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais" ( 1Co 2:13 ).
Os judeus que ‘criam’ em Cristo segundo os seus próprios conceitos não compreenderam o ensino de Jesus porque eram homens naturais, e, portanto, pareceu-lhes loucura uma oferta de liberdade à descendência de Abraão.
Embora aqueles judeus seguissem a Cristo, ainda não haviam se arrependido (não abandonaram os seus conceitos) de fato. Eles permaneciam fiados na carne, ou seja, confiavam que eram filhos de Deus pelo fato de serem descendentes de Abraão "Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne. Ainda que também podia confiar da carne" ( Fl 3:3 -4).
Segundo a concepção dos judeus, somente era possível a um homem ser um dos filhos de Deus quando descendesse do patriarca Abraão. Por não terem abandonado estes conceitos antigos (arrependimento), a oferta de Jesus foi rejeitada, lhes parecia loucura "E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam" ( Jo 1:5 ).
O ensino de Jesus contradiz por completo a concepção dos judeus, uma vez que, para ser filho de Deus (filho da Luz) é necessário crer naquele que Deus enviou (Luz) "Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles" ( Jo 12:36 ).
Como um judeu poderia admitir estar sob o jugo de alguém, se creditavam que eram filhos de Deus por serem descendentes da carne de Abraão? Admitir a condição de escravos seria o mesmo que admitir que Deus estivesse sob domínio de alguém. Como pode um filho de Deus ser cativo (escravo) de alguém?
O raciocínio: um filho de Deus nunca foi, não é e nunca será escravo de ninguém! Está correto. Porém, o erro deles estava em entender (compreender) que a filiação divina é proveniente da descendência de Abraão, visto que a filiação divina é por fé, a mesma fé que teve o crente Abraão, e não por descendência (segundo a carne) "De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão" ( Gl 3:9 ).
Como a filiação divina não é proveniente da semente de Abraão, conclui-se que os judeus não eram filhos de Deus, e, portanto, continuavam sob o jugo do pecado por serem, em ‘última’ instância, filhos de Adão, o primeiro pai dos homens ( Is 43:27 ).
Comparando Coisas Espirituais
"As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais"
( 1Co 2:13 )
A mensagem de Cristo é espírito e vida, ou seja, por Ele ter 'vindo' de cima, as suas palavras são eminentemente espirituais e difere completamente da concepção dos homens naturais "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida" ( Jo 6:63 ).
Como comparar 'coisas espirituais com as espirituais'?
Primeiro é necessário admitir que tudo que Jesus ensinou são 'coisas' espirituais'. Em segundo lugar, também é necessário admitir que tudo o que as Escrituras contêm são espirituais, como bem se observa no verso seguinte: "Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?" ( Jo 5:47 ).
Se não criam nos escritos do Pai, como creriam nos ensinos do Filho? Ora, as palavras do Filho são conforme as Escrituras, portanto, ambas são espirituais e passíveis de comparação.
A concepção dos judeus de que eles eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão estava completamente equivocada. Os seus mestres fizeram uma interpretação equivocada das Escrituras quando leram acerca da promessa de Deus a Abraão, que diz: "E em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz" ( Gn 22:18 ).
Ora, por Abraão obedecer à voz de Deus e ter alcançado a promessa de que em sua 'descendência' as nações da terra seriam benditas, os interpretes de Israel concluíram que, os descendentes (filhos da carne) do patriarca haviam alcançado a bem-aventurança prometida a Abraão.
João Batista protesta contra este posicionamento dos religiosos judeus: "E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão" ( Mt 3:9 ).
Aquilo que os religiosos presumiam não era conforme a verdade da Escrituras, pois não basta ao homem invocar a paternidade de Abraão para ser salvo. Antes, será salvo somente aquele que invocar o nome do Senhor: "E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo" ( Jl 2:32 ).
Há uma enorme diferença entre invocar a paternidade de Abraão e invocar ao Senhor. Enquanto Deus gera filhos espirituais, Abraão somente gerou filhos segundo a sua carne.
Observe que os religiosos se arrependiam dos seus maus intentos ( Jo 8:9 ), porém, não se arrependeram dos seus conceitos para a salvação, pois permaneciam confiados que eram filhos de Deus pelo fato de serem descendentes de Abraão ( Jo 8:33 , 39 e 41).
Todos os homens, em menor ou maior grau, quando redargüidos pela consciência, arrependem-se dos seus erros, porém, este arrependimento não lhes concede a salvação, pois são arrependimentos de 'obras mortas'.
Observe o comportamento das pessoas logo após crucificarem a Cristo: voltaram batendo nos peitos! Porém, o arrependimento deles não foi para a salvação "E toda a multidão que se ajuntara a este espetáculo, vendo o que havia acontecido, voltava batendo nos peitos" ( Lc 23:48 ).
Arrepender-se de atos não é o mesmo que abandonar conceitos antigos acerca de como alcançar a salvação. A mudança de conceito acerca de uma determinada questão é o que a Escritura aponta como arrependimento genuíno.
Recapitulando: Da mesma forma que os religiosos judeus não entendiam as Escrituras, também não entenderam o ensinamento de Cristo. O que a Escritura e Cristo propõem aos homens?A Escritura e Jesus demonstram que é necessário a todos os homens nascidos da carne (Adão) nascerem de novo, da água e do Espírito (da palavra e de Deus), para serem filhos da Luz.
Jesus disse que os nascidos da carne são carnais, ou seja, os descendentes da carne de Abraão eram homens carnais. Neste mesmo diapasão Davi reconheceu que foi formado e concebido em pecado, e que somente seria limpo de tal condição através de uma obra exclusivamente divina ( Sl 51:5 ).
Como é possível ao homem livrar-se da condição de sujeição (jugo) ao pecado proveniente do nascimento em Adão? Somente através do novo nascimento, através da semente incorruptível (água), o homem é novamente gerado pelo Espírito de Deus (Espírito) ( Jo 3:6 ).
Ser descendente da carne de Abraão é o mesmo que ser filho de Adão, por quem o pecado entrou no mundo e passou a todos os homens ( Rm 5:19 ).
Os filhos deste Mundo
"E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz"
( Lc 16:8 )
Em seus ensinos, Jesus demonstrou que existem os ‘filhos deste mundo’ e os ‘filhos da Luz’.
Para entender a doutrina de Jesus é preciso compreender como nascem os filhos deste mundo e qual a condição deles diante de Deus.
As perguntas a serem respondidas são: Quem são os filhos deste mundo? De quem eles são gerados?
Através das declarações de Jesus verifica-se que a relação dos filhos deste mundo com Deus é totalmente diferente da relação estabelecida com os filhos da luz.
Os filhos deste mundo são completamente opostos aos filhos da luz, tanto na origem quanto na natureza.
Os filhos deste mundo referem-se especificamente aos homens. Como? Ora, sabemos que Deus 'amou o mundo de tal maneira', ou seja, Ele amou todos os homens indistintamente. Quando se lê que Deus amou o mundo, isto significa que Ele amou os 'filhos deste mundo' ( Jo 3:16 ).
Todos os homens descendem de um único homem: Adão. Todos os homens foram e continuam sendo gerados segundo a semente de Adão. Todos os homens por serem descendentes de Adão são filhos deste mundo.
A bíblia demonstra que Adão pecou, e, por isso, todos os homens foram julgados e condenados em Adão. Quando a bíblia demonstra que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, ela não aponta a moral e a conduta dos homens como sendo causa da condenação da humanidade ( Rm 5:18 ).
Não são as condutas ‘reprováveis’, do ponto de vista da moral e do comportamento humano, que determinam a condição de sujeição ao pecado pertinente aos filhos deste mundo.
A bíblia demonstra que todos os homens tornaram-se participantes da natureza pecaminosa de Adão, por descenderem da carne e do sangue, ou seja, da semente corruptível de Adão ( Jo 1:12 ).
Os judeus também reconheciam que os homens fora da comunidade de Israel eram pecadores, porém, consideravam que, por serem descendentes de Abraão, haviam deixado a condição de pecadores. Consideravam que eram bem-aventurados em Abraão por causa da promessa feita à sua descendência.
No entanto, esqueceram que, mesmo sendo descendentes de Abraão segundo a carne continuavam filhos de Adão. Esqueceram que continuavam sendo filhos de Adão do mesmo modo que todos os outros homens (gentios).
Se os judeus lembrassem ou compreendessem os escritos do profeta Isaias, veriam que eles ainda eram pecadores, mesmo sendo descendentes de Abraão.
Isaias demonstrou que os interpretes de Israel estavam equivocados, quando anunciou o pecado de Adão. O primeiro pai (Adão) vendeu todos os homens como escravos ao pecado, sem distinção alguma: judeus e gentios "Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim" ( Is 43:27 ).
Os doutores da lei prevaricaram, ou seja, não consideram que todos os filhos da carne de Abraão continuavam filhos de Adão, e, portanto, pecadores.
Deus apontou a causa da transgressão de Israel e Judá: Adão! Porém, os mestres da lei faltaram com o dever para com Deus (prevaricar). Não ensinaram o que era reto segundo a palavra que o Senhor falara. Embora eles fossem filhos de Abraão segundo a carne, continuavam sob a maldição de Adão, o primeiro pai de todos os homens.
Como é possível ao homem ver-se livre de tal maldição, uma vez que ser descendente de Abraão não livra o homem de tal condição (condenação)?
Há muito, os filhos de Israel foram alertados, que somente aqueles que circuncidam os seus corações por meio da fé hão de ser contados como filhos de Deus, assim como aconteceu com o crente Abraão ( Dt 10:16 ). Os verdadeiros filhos de Abraão são aqueles que, por meio da fé, circuncidam o coração, obra exclusiva de Deus.
Abraão foi justificado por Deus pela fé, mas, a fé de Abraão de nada aproveitou aos seus descendentes segundo a carne, pois eles continuaram sendo filhos da desobediência de Adão. Por mais que invocassem a paternidade de Abraão, jamais estariam livres da origem Adâmica.
Os filhos da desobediência de Adão são nomeados de várias maneiras. Dentre elas destacamos: filhos da ira, filhos da desobediência, filhos de Adão, filhos deste mundo, filhos do diabo, filhos das trevas, homem natural, homem carnal, etc.
A bíblia demonstra que todos de igual modo estão destituídos da glória de Deus sem qualquer referência às qualidades morais, intelectuais ou comportamentais do homem. Sobre os filhos deste mundo pesa um juízo e uma condenação decorrente da desobediência de Adão, que só é possível removê-la através da obediência do Descendente de Abraão, que é Cristo ( Rm 5:18 ).
A melhor figura bíblica que ilustra a verdade da sujeição da humanidade ao jugo do pecado é figura da escravidão. Todos os homens foram vendidos como escravos ao pecado quando Adão desobedeceu à seguinte lei “... mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás,..." ( Gn 2:16 ).
Desta forma, quando o 'primeiro pai' da humanidade (Adão) pecou, ele vendeu-se como escravo ao pecado, e com ele todos seus descendentes (filhos).
O apóstolo Paulo utiliza este comparativo para falar da condição do homem sob o domínio do pecado, quando disse: “... mas, eu sou carnal, vendido como escravo ao pecado" ( Rm 7:14 ). Ao estabelecer o comparativo 'como escravo’, Paulo demonstra que, assim como os filhos dos escravos submetem-se ao senhor de seus genitores, toda a humanidade passou à condição de submissão ao pecado por causa de Adão, o primeiro pai da humanidade.
Como o pai da humanidade (Adão) vendeu-se ao pecado, os filhos de Adão nascem escravos, assim como era o caso dos filhos dos escravos que nasciam sob o jugo da servidão.
Ora, quem se vendeu foi Adão, visto que, é impossível ao restante da humanidade pecar à semelhança da transgressão de Adão, pois tal transgressão (desobediência) sujeitou toda a humanidade "No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram a semelhança da transgressão de Adão..." ( Rm 5:14 ).
Por que os homens não podem pecar à semelhança da transgressão de Adão? Porque a transgressão de Adão vendeu toda a humanidade ao pecado da mesma forma (como) quando um homem era vendido como escravo a um senhor.
Não há como um escravo ou os ‘seus filhos’ venderem-se novamente ao seu senhor, e, portanto, não há como a humanidade pecar a semelhança da transgressão de Adão.
Todos os filhos de escravos também são escravos. Da mesma forma, todos os filhos de Adão nasceram escravos e destinados à morte. Por si só o homem nascido na condição de escravo do pecado não podem piorar e nem melhorar a sua condição diante de Deus.
As injustiças dos filhos de Adão (humanidade sem Cristo) não os tornam piores diante de Deus, e nem mesmo os seus atos de justiça melhora suas condições diante de Deus, uma vez que, os filhos deste mundo não pertencem a Deus.
Todos os filhos de Adão são servos do pecado, e pesa sobre eles um juízo e uma condenação. A penalidade é a morte, que só em Cristo pode ser removida.
Os filhos da Luz
"Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles"
( Jo 12:36 )
Quem são os filhos da Luz? Como um 'filho deste mundo' torna-se 'filho da Luz'? Qual a condição dos filhos da Luz?
Todos os homens são descendentes de Adão porque nasceram da vontade da carne, do sangue e da vontade do homem "Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" ( Jo 1:13 ).
Os filhos de Deus não nascem segundo a carne, não são provenientes do sangue e nem da vontade do homem. Os filhos de Deus nascem de Deus segundo a sua vontade, conforme se lê: "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" ( Jo 1:12 -13).
Como um filho deste mundo passa à condição de filho da luz? Qual é a vontade de Deus para que os homens sejam contados como seus filhos?
A vontade de Deus é que todos os homens sejam contados como seus filhos e através do evangelho os filhos deste mundo têm a oportunidade de se tornarem filhos da Luz.
Jesus (a verdadeira Luz que ilumina os homens) disse aos judeus que eles precisavam crer na Luz para serem filhos da Luz, ou seja, todos os homens precisam crer em Cristo para serem filhos de Deus.
Todos que crêem em Cristo recebem de Deus poder para serem feitos (criados) seus filhos "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome" ( Jo 1:12 ).
Para que os 'filhos de Adão' (que estão sob condenação) deixem a condição de escravos do pecado e sejam contados como 'filhos de Deus' é necessário nascerem de novo.
Para o homem nascer de novo segundo a vontade de Deus é necessário crer em Cristo, pois esta é a vontade de Deus: "Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou" ( Jo 6:29 ).
Sobre o novo nascimento (regeneração) o apóstolo Pedro disse: "Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre" ( 1Pe 1:23 ).
Todos os que em todos os lugares crêem em Cristo conforme as Escrituras são de novo gerados segundo o eterno poder de Deus, tornando-se uma nova criatura, livre de condenação, inculpável, santa, justa e participante da natureza divina "Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo" ( 2Pe 1:4 ).
Todos os que crêem em Cristo conforme diz as Escrituras foram de novo gerados e são novas criaturas ( 2Co 5:17 ). Todos os que crêem estão ‘em Cristo’ e Cristo neles ( Jo 17:21 ).
De acordo com o apóstolo Paulo, antes (noutro tempo) os cristãos eram trevas e agora são luz no Senhor ( Ef 5:8 ). Antes, velha criatura, agora nova criatura ( 2Co 5:17 ). Antes, vasos para desonra, agora vasos para honra ( Rm 9:21 ). Antes, servos do pecado, hoje servos da justiça. Antes, homens carnais e filhos da desobediência de Adão, agora homens espirituais e filhos de Deus por intermédio da fé no último Adão (Cristo).
A ação divina (obra) centra-se na natureza do homem, e não em sua conduta. A obra sobrenatural do Espírito de Deus é gerar homens segundo a sua natureza, sem qualquer dependência com a moral e o comportamento humano.
O novo homem para ser gerado de Deus não depende de regras provenientes das relações humanas, antes é por fé (evangelho) somente.
Agora, analisemos a condição do novo homem gerado em Cristo:
O Método de Análise
"A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder"
( 1Co 2:4 )
Asserção (afirmação) é o conteúdo de uma frase que pode ser tomado como verdadeiro ou falso. Para descrever o conteúdo das asserções utiliza-se a proposição, termo próprio à lógica.
Apesar da controversa entre os filósofos acerca da natureza das proposições, ela é uma ferramenta útil na interpretação bíblica.
Como as asserções bíblicas admitem somente dois valores lógicos: ‘falso’ e ‘verdadeiro’, é possível estabelecer uma relação entre asserções que expressam a mesma idéia ou proposição. Exemplificando: "A neve é branca" e "Snow is white" são sentenças diferentes, porem expressam a mesma idéia, ou seja, a mesma proposição: a neve é branca.
Esta mesma proposição admite outras construções verdadeiras como: "A precipitação de pequenos cristais de água congelada é branca", já que "precipitação de pequenos cristais de água congelada" é a definição de "neve".
Por definição, uma proposição ou asserção é a afirmação de que algo é verdadeiro ou falso. Porém, apesar de usarmos frases para exprimir proposições, nem toda frase é proposição. Frases que expressam ordens, perguntas, conselhos só em casos específicos apresentam proposições.
As seguintes frases ou sentenças exprimem a mesma proposição: 'A neve é branca' e 'Snow is white"; 'João ama Maria' e 'Maria é amada por João'.
Com base em certas premissas contidas nas asserções é possível inferir outras proposições. A inferência é o processo em que se derivam conclusões com base em premissas contidas em uma asserção.
O conjunto de proposições que surgem da inferência é tido como argumento, onde temos uma ou mais premissas e uma ou mais conclusões.
Como diferenciar inferência do argumento? A inferência refere-se ao processo de raciocínio com base numa asserção, e o argumento refere-se ao conteúdo da inferência. Um exemplo de argumento: Os paulistanos são brasileiros e João é paulistano, portanto, João é brasileiro. Na inferência temos: Todo 'A' é 'B' e 'C' é ' B', portanto, 'C' é 'A'.
Premissas são proposições utilizadas como provas ou razões para aceitar ou determinar uma conclusão. Da proposição que se firmou em outras proposições deste argumento, temos a conclusão. Exemplo:
-
Premissa (1) = Os paulistanos são brasileiros;
-
Premissa (2) = João é paulistano;
-
Conclusão = Segue-se que, João é brasileiro.
Tanto as premissas quanto as conclusões são proposições, porém, premissas e conclusões são termos relativos, uma vez que, uma proposição pode ser conclusão numa premissa ou argumento noutra. Exemplo: João é brasileiro e todos brasileiros conhecem o Lula, segue-se que João conhece o Lula.
Se considerados isoladamente, nenhuma proposição é premissa ou conclusão.
Quando analisamos um texto, as premissas e conclusões aparecem entrelaçadas. Para uma correta interpretação se faz necessário identificar corretamente os argumentos decompondo as suas partes em premissas e conclusões.
Com base nos elementos da lógica é possível analisar os textos bíblicos.
Como é assente entre os cristãos que Jesus é a verdade e que as suas palavras são verdadeiras, não há o problema da filosofia sobre o que é a verdade, e, conseqüentemente, todas as suas declarações (proposições) assumem o valor lógico verdadeiro.
O título deste livro é: Os nascidos de Deus não pecam. O título foi escolhido com um propósito e deriva da seguinte afirmação do apóstolo João: "Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu" ( 1Jo 3:6 ).
'Permanecer em Cristo' é o mesmo que 'ser nascido de Deus' ou 'filhos de Deus' conforme inferimos do texto. Desta forma temos que: 'Qualquer que permanece nele não peca', equivale a: 'Qualquer que é nascido de Deus não peca', ou 'Os filhos de Deus não pecam'.
Essas três sentenças expressam a mesma idéia da proposição inicial? Sim! Elas expressam a mesma idéia porque não houve mudança no significado e nem nos componentes da sentença, como:
-
denotação (o estado das coisas que a sentença apresenta como verdadeiro);
-
conotação (sentimentos, idéia ou emoção evocados ao leitor pela sentença), e;
-
ênfase (a importância relativa que o escritor atribui a diferentes elementos na sentença).
Os valores-verdade das proposições são os mesmos: qualquer que permanece em Cristo é gerado de Deus, e, portanto, um dos seus filhos.
Em uma proposição temos os seguintes valores-verdade: ‘verdadeiro’ e ‘falso’. Através destes valores-verdade (verdadeiro ou falso) também é possível efetuarmos algumas operações lógicas através de alguns 'operadores lógicos'.
Através dos operadores lógicos é possível agregar duas proposições para formar uma nova proposição complexa. O valor-verdade da nova proposição é determinado pelos valores-verdade das duas proposições que foram agregadas e pelo operador que as agrega.
Temos os seguintes operadores lógicos: conjunção, disjunção, condicional, negação e bi condicional. Dentre estes operadores, o mais interessante é a negação: Quaisquer proposições 'P' podem ser convertidas em suas negações com um operador de negação, produzindo proposições novas e complexas.
Um exemplo bíblico: "Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu" ( 1Jo 3:6 ).
A proposição: "Qualquer que permanece nele não peca", equivale a uma proposição nova e complexa quando transformada em negação: "Qualquer que não permanece nele peca".
Alguém pode questionar o método que estamos utilizando para a análise de ( 1Jo 3:6 ), porém, é fácil verificar que, para evitar possíveis erros na interpretação de seus escritos, o apóstolo João também utilizou o 'operador lógico' de negação em suas asserções.
Observe: "Qualquer que permanece nele não peca" e "Qualquer que nele não permanece peca" são sentenças diferentes, porém expressam a mesma idéia, ou seja, temos nas duas assertivas proposições diferentes equivalentes na idéia: 'Qualquer que permanece nele não peca'.
A proposição 'Qualquer que permanece nele não peca' admite outras construções (proposições) verdadeiras, como é o caso desta assertiva utilizada pelo apóstolo João: "Qualquer que peca não o viu nem o conheceu", já que a proposição "...não o viu nem o conheceu" é o mesmo que "não permanecer nele".
No mesmo diapasão temos a seguinte mensagem de Cristo: "E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas" ( 1Jo 1:5 ). Ora, quando Jesus anunciou aos homens que: 'Deus é Luz', Ele enfatizou esta verdade através de um 'operador lógico' de negação: ‘... não há nele trevas nenhumas'.
Através do operador lógico de negação (não), a idéia bíblica é preservada mesmo quando se muda o sentido de uma palavra em meio ao texto. Através da negação, Jesus reafirma que Deus é luz, uma vez que na Luz não há trevas nenhumas.
O apostolo Paulo é categórico ao dizer: "A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder" ( 1Co 2:4 ). Que é o Espírito e o poder que Paulo demonstrava em suas pregações? A palavra de Cristo, conforme se lê: "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são Espírito e vida" ( Jo 6:63 ).
Ora, o evangelho anunciado pelo apóstolo Paulo expõe (demonstração) no que consiste o Espírito e o poder de Deus, referência clara a mensagem de Cristo, que se constitui Espírito e vida. Enquanto Jesus demonstra que as suas palavras concedem vida, Paulo destaca o poder contido na palavra que produz vida. Há equivalência entre as palavras de Cristo e a mensagem de Paulo, elas não se contradizem.
As escrituras são passíveis de análise através dos 'operadores lógicos', que se constitui em uma ferramenta que pode ser utilizada para um melhor discernimento das verdades bíblicas.
'Não Peca' ou 'Não Vive Pecando'
"E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça"
( Rm 6:18 )
Agora, analisemos as implicações teológicas da seguinte proposição: "Qualquer que permanece nele não peca" ( 1Jo 3:6 a) (Almeida Revista e Corrigida - VRC)
Para a nossa análise, vale destacar o exposto pelo Doutor Benedito de Paula Bittencourt em seu livro, O Novo Testamento: metodologia da pesquisa textual: "Duas verdades depõem contra a VRC; a) uma verdade gramatical, porque a ação verbal no tempo presente amartauei3p. sing. ind. pres.) é contínua, durativa, em progresso e só a expressão 'não vive pecando' reflete esse tipo de ação; quando afirmamos 'não peca', rejeitamos qualquer tipo de continuidade; b) uma verdade bíblica, porque não é possível conciliar o texto em questão com 1Jo 1.10. Enquanto aquele afirma que o crente 'não peca', este deixa claro que se alguém afirma tal coisa falta com a verdade e acusa Deus de mentiroso. A extrema imprecisão na tradução do tempo verbal resultou no desencontro entre os dois textos, que, por coincidência, são do mesmo autor, mas estão absolutamente irreconciliáveis. Ora, esse tipo de imprecisão, dentre outras coisas, serve de apoio a falsos ensinos" Bittencourt, B. P., O Novo Testamento: metodologia da pesquisa textual, 3ª Ed. rev. at. mp., Rj, editora JUERP, 1993, pág. 191.
No decorrer da análise será possível determinar se podemos aquiescer à exposição do proeminente doutor.
Como apresentaram argumentos em desfavor da 'antiga' Almeida Versão Revista e Corrigida, com base em questões gramaticais, vale salientar, antes de tudo, que é necessário ao leitor identificar no versículo qual a importância relativa que o apóstolo João atribuiu aos diferentes elementos da sentença (ênfase).
Ênfase: "Diz da importância relativa que o escritor atribui a diferentes termos na construção da proposição". Por exemplo, na sentença 'O fogo desceu furioso pela colina' a denotação da sentença é a asserção que há fogo queimando na colina e descendo. A 'ação' do fogo é contínua, durativa e progressiva.
A conotação é de aviso, pois o 'comportamento' do fogo é algo a ser temido pelo perigo ou risco que apresenta. A ênfase nesta sentença está no próprio fogo.
Se a asserção tivesse sido escrita: 'Pela colina o fogo desceu furioso', a ênfase estaria na colina, e a sentença perderia a denotação de continuidade e progressividade, visto que a colina é fixa. De igual modo, a frase com ênfase na colina não apresenta a conotação de aviso, pois qual risco pode oferecer uma colina que foi consumida por um fogo furioso?
Ora, através desta análise lógica, a deficiência que foi apontada na VRC não existe, pois não se trata de uma questão gramatical, e sim de ênfase. A ênfase na asserção: "Qualquer que permanece nele não peca", está em permanecer em Cristo, única forma de submissão ao jugo de Cristo, pois é próprio aos servos d'Ele (justiça) 'não pecar' ( Jo 8:34 ).
O que João procura destacar aos seus leitores é o mesmo que demonstrou Tiago: a obra perfeita da fé, que se resume na perseverança! (Tg 1:4 ).
Qual a denotação da frase: "Qualquer que permanece nele não peca"? Significa que, qualquer homem que permanece unido a Cristo pela fé não está sob o jugo do pecado. Ora, permanecer indica uma ação verbal contínua e durativa que tem como resultado: 'não peca'. Só é possível perdurar o resultado 'não peca' enquanto o homem permanecer em Cristo.
Observe que a condição 'não peca' depende da ação verbal do termo "permanece". Enquanto se permanece em Cristo, a condição 'não peca' perdura ('transita' a ação verbal estabelecendo um novo estado de coisas).
A conotação da asserção: "Qualquer que permanece nele não peca" é de esclarecimento, definição. O apóstolo João, neste verso, continua conscientizando os seus leitores acerca da nova condição daqueles que se tornaram filhos de Deus, para evitar que alguém os enganasse ( 1Jo 3:1 -6).
Quando a VRC traduz 'não peca', ela não rejeita a continuidade e duração que a ação verbal no tempo presente exige, pois a ênfase da asserção de João está em permanecer em Cristo.
A VR não é superior a VRC quando diz: "Todo o que permanece nele não vive pecando". Primeiro, porque o operador lógico de negação (não) suspende qualquer idéia de continuidade, duração ou progressão da condição 'vive'. É impossível aliar o advérbio 'não' a um verbo no gerúndio. O que a VR fez é inominável do ponto de vista gramatical, pois o 'não' é expressão taxativa, e não aceita continuidade (não... pecando?).
A única maneira de conciliar o advérbio 'não' a um verbo no gerúndio é na substituição de uma partícula 'se' quando ela é uma Conjunção subordinativa condicional, assumindo o valor de "se não": "Espero que ele venha, mas, não vindo (se não vier), pouco poderei fazer".
Se relacionarmos o advérbio 'não' com o verbo 'vive', o único resultado é a não existência. Quando não se vive é porque está morto, e a idéia de ação em andamento, ou de um processo verbal ainda não finalizado, que é a idéia proveniente do grego que se procurou evidenciar na VR utilizando o verbo 'pecar' no gerúndio é descabida.
Observe que o advérbio 'não' da VRC, combinado com o verbo 'permanece' é que dá 'vida' a ação verbal continua e durativa. O 'não' apresenta uma característica existencial daquele que permanece em Cristo. Como é uma característica do 'ser', ela é contínua e durativa.
A bíblia demonstra que o homem vive em pecado, e não que ele vive pecando. O homem vive em pecado, ou está morto para Deus no pecado porque esta condição é herdada de Adão. Isto não significa que o homem precisa cometer pecado constantemente para estar em pecado, antes, por estar em pecado, é que se peca.
Basta ao homem estar em Cristo, ou viver em Cristo, que deixará a condição de estar ou viver em pecado. Ora, aquele que está em Cristo, nova criatura é, e 'não peca', pois esta nova condição perdura naqueles que permanecem em Cristo.
Ninguém vive vinte e quatro horas por dia pecando (cometendo erros). O homem vive em pecado, e, por isso, peca, o que não significa que os homens vivem pecando. Enquanto dormem os homens vivem, porém, não dormem pecando. Um monge vive em pecado, porém, não vive pecando diuturnamente. Até mesmo os homens mais desregrados dormem, e a condição 'vive pecando' deixa de ser factível.
O Dr. Bittencourt disse que é impossível conciliar I João 3: 6a da VRC com I Jo 1: 10. Vejamos!
"E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas (...) Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós" ( 1Jo 1:5 -10).
"E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados. E nele não há pecado. Todo aquele que permanece nele não peca. Todo que peca não o viu nem o conhece" ( 1Jo 3:5 -6).
Em I João 3: 5- 6 temos uma mensagem de conscientização dos cristãos acerca da obra de Cristo (tirar os nossos pecados), e da nova condição daqueles que n'Ele estão (Nele não há pecado).
Já em I João 1: 5- 10, apesar de o apóstolo João escrever a cristãos, o objetivo do texto é outro. Ele trouxe à lembrança dos cristãos qual foi a mensagem que João ouviu de Cristo e depois retransmitiu aos cristãos "E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos..." ( 1Jo 1:5 ).
Qual era a condição do apóstolo João quando ouviu a mensagem de Jesus? Inferimos do texto que à época, João ainda não era cristão. Alguém pode querer contestar o fato de que João ainda não era cristão quando ouviu de Jesus a mensagem: 'Deus é luz'. Porém, não há como contestar que, quando o apóstolo retransmitiu a mensagem, os seus ouvintes ainda não eram cristãos.
Conclui-se que o público alvo da mensagem contida nos versos 5 a 10, do capítulo 1, da primeira carta do apóstolo João eram os descrentes, que após ouvir a mensagem, creram.
Percebe-se que o público alvo da mensagem difere com relação aos textos tidos como sendo 'irreconciliáveis'.
'Todo aquele que permanece nele' diz dos cristãos ( 1Jo 3:6 ª).
Agora, quem ouve a mensagem 'Deus é luz...' e contra argumenta: "Tenho comunhão com Ele, e anda em trevas (ou seja, não tem comunhão), é mentiroso ( 1Jo 1:6 ). Se diante da mensagem 'Deus é luz', o descrente disser que não tem pecado, está enfatuado em si mesmo (v. 8). Ou pior ainda, se alguém ouvir a mensagem 'Deus é luz' e alegar que não peca, como foi o caso dos judeus que criam em Cristo, acusa a Deus de mentiroso (v. 10).
O apóstolo Paulo na carta aos Romanos anuncia que “todos pecaram”, do mesmo modo, Jesus alerta que “todos precisam nascer de novo”, visto que os nascidos da carne são carnais, ou seja, estão em pecado. Não é diferente a mensagem do apóstolo João, quando demonstra que, qualquer que diz que não peca, ou seja, que não é servo do pecado, é mentiroso ( Jo 8:34 ).
Quantas vezes diante da mensagem de Cristo os religiosos O rejeitaram por considerarem que não eram pecadores? "Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece" ( Jo 9:41); "Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados" ( Jo 8:24 ); "Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado" ( Jo 8:33 -34); "Se eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado, mas agora não têm desculpa do seu pecado" ( Jo 15:22 ); "Jesus respondeu: Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo, mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz" ( Jo 11:9 -10).
Esta foi a mensagem de Cristo: "Deus é Luz", porém, os homens rejeitaram-na, alegando que eram filhos de Abraão.
Quando o cristão anuncia o evangelho é necessário demonstrar aos homens que 'Deus é Luz, e que nele não há trevas nenhumas’, ou seja, para estar em Deus é necessário ser nascido d’Ele. Mas, como demonstrar esta verdade? Ora, basta anunciar a Cristo, pois Ele é a Luz verdadeira que veio ao mundo ( Jo 1:9 ), que revelou o Pai ( Jo 1:18 ).
Resta que a VRC é superior a VR, e que não podemos aquiescer os argumentos apresentados pelo Dr. e Pr. Benedito.
Continua...








