O Mau
“Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros” ( Rm 7:20 -23 ).
Novamente o apóstolo Paulo enfatiza a sujeição ao pecado como impedimento para se realizar o bem.
O que impede o homem sem Deus de realizar o bem é o pecado, porém, a vontade do homem é livre para desejar servir a Deus. Observe que em momento algum o apóstolo Paulo demonstra que a vontade do homem está sob o jugo do pecado. Embora deseje fazer o bem, o homem é impedido pelo seu senhor, que habita nele.
Por que o ‘eu’ escravo do pecado possui uma lei que o impede de fazer o bem? Porque o mau está atrelado ao ‘eu’, ou seja, o pecado habita o homem carnal.
Paulo não estava tratando de comportamento, visto que é possível a todos os homens fazerem coisas boas ou ruins. Observe que é plenamente possível aos homens maus dar boas dádivas aos seus filhos, porém, eles não podem fazer o bem, porque o mau reside neles.
Sabemos que Deus é bom e todos que são moradas do Espírito Eterno são bons, visto que Deus não habita templo imundo ( 1Co 3:17 ). Deus não habita onde há trevas, visto que, Ele é luz e não há nele trevas nenhuma. Para estar em Deus o homem precisa ser de novo gerado, passando a ser luz no Senhor, ou seja, o pecado perde o seu domínio e o mau não habita o novo homem gerado em Cristo ( 1Jo 1:5 ; Ef 5:8 ).
Há uma lei que prende o ‘eu’ sob o pecado. Que lei é está? Refere-se à lei estabelecida no Éden: “...dela não comerás, pois no dia em que comeres, certamente morrerás” ( Gn 2:17 ). A morte (separação de Deus) ou o pecado se estabeleceu por intermédio da lei, e não importa as ações dos homens, se boas ou más, se não nascer de novo, continuará sob o domínio do mau.
O ‘eu’ se deleita na lei de Deus, mas não pode servir a Deus. Isto ocorria com o povo de Israel, que ‘servia’ a Deus com os lábios, porém, a barreira de separação persistia "Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído" ( Is 29:13 ).
O povo de Israel não via que a lei do pecado estava sobre os seus membros, e que os conduzia para longe do objetivo que traçaram. Eles pensavam que estavam se aproximando de Deus e com a boca prestava honras, porém, o coração deles era o que os afastava de Deus.
Como? Ter zelo de Deus não é o mesmo que tê-lo habitando no coração ( Rm 10:2 ). Para que Deus pudesse habitar neles era preciso que eles circuncidassem os corações conforme Moisés apregoara "Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz" ( Dt 10:16 ).
O problema do povo de Israel e de toda a humanidade estava no coração que receberam através do nascimento natural. Por causa da desobediência de Adão o mau passou a residir nos corações dos homens, afastando-os de Deus. Somente após circuncidar o ‘prepúcio’ do coração, algo que somente Deus pode realizar pelo homem, a barreira de separação é desfeita.
Não basta ao homem deleitar-se na lei. Não basta honrar a Deus com os lábios. Há uma lei que prende o homem debaixo do jugo do pecado “Porque, conforme o homem interior, juntamente me deleito na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros uma lei diferente, batalhando contra a lei do meu entendimento e me levando cativo para a lei do pecado, aquela estando nos meus membros” Bíblia Literal do Texto Tradicional – LTT.
Quando o homem aceita a Cristo, ele se apresenta a Deus como vivo dentre os mortos: uma nova criatura. A nova criatura gerada em Cristo agora precisa apresentar os seus membros, ou seja, o seu corpo físico como instrumento de justiça, uma vez que este mesmo corpo era instrumento de iniqüidade "Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça" ( Rm 6:13 ).
Quando o homem nasce segundo Adão, ele é apresentado ao pecado na condição de vivo para o pecado e morto para Deus. Os seus membros (corpo carnal) são instrumentos de iniqüidade, mesmo quando executam boas ações aos seus semelhantes "Porque, quando estávamos na carne, as paixões dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte" ( Rm 7:5 ; Rm 6:19 ).
O Mau é pertinente ao homem carnal, ou seja, gerado segundo Adão. Quando Paulo disse ‘eu sou carnal’, ele estava referindo à sua condição no passado que é pertinente a todos os homens que ainda não aceitaram a Cristo. ‘Eu sou carnal’ não era a condição do apóstolo após ter um encontro com Cristo, visto que a sua atual condição é expressa logo a seguir: não andamos segundo a carne ( Rm 8:4 ; Rm 8:9 ).








